Embolia Pulmonar e Trombose Venosa Profunda – É preciso evitar!

Há uma relação bastante conhecida entre a Embolia Pulmonar (EP) e a Trombose Venosa Profunda (TVP) – a presença de um Trombo (sangue coagulado) obstruindo a passagem de sangue de um determinado vaso, seja uma Artéria ou uma Veia. Dessa Forma, denominamos estas duas doenças como Tromboembolismo Venoso (TEV).

Parece um assunto muito distante de nossas vidas cotidianas, mas, na verdade, quase metade dos doentes hospitalizados pode estar sob risco de desenvolver uma dessas duas complicações.  Somente o conhecimento desta entidade e a adoção de medidas preventivas pode minimizar o problema.

 

1 - Qual a importância de conhecer essas doenças?

É uma complicação muito comum em pacientes internados hoje em dia, sobretudo por ocasião de cirurgias de grande porte, por doenças clínicas variadas que necessitam permanência na UTI e com restrição à mobilidade, para tratamento de câncer. Estes grupos citados são de maior risco, mas há casos de Trombose venosa Profunda e Embolia pulmonar em todos os contextos. Em termos numéricos, nos EUA, são mais 200mil caso anuais de TVP e 25% destes, desenvolvem Embolia pulmonar. No Brasil, não há dados suficientes para estimarmos sua real importância, porém, sabe-se que no Mundo Todo, o TEV representa a causa de óbito intra-hospitalar mais evitável.   

É muito importante conhecer este assunto!

 

2- Por que ocorre TEV (Tromboembolismo Venoso)?

Classicamente, há uma predisposição individual, somado a fatores/doenças que aumentam a má circulação (“estase venosa”) e deixam os vasos doentes (Diabetes, Hipertensão, Tabagismo, etc). O somatório destes fatores e a ausência de prevenção podem levam a formação de um TROMBO (coágulo) nas pernas ou em outras partes do corpo, causando uma TROMBOSE VENOSA. Se este TROMBO migrar para o Pulmão, tem-se, então a Embolia Pulmonar.

 

3- Quais são os fatores que aumentam muito o risco de TEV (Tromboembolismo Venoso) ?

De forma geral, os doentes hospitalizados estão sempre estão sob maior risco que os doentes estáveis, em seguimento ambulatorial. Entretanto, isto não é uma regra absoluta. Os fatores que mais aumentam o risco são:

- Idade (quanto mais idoso, maior o risco)

-Imobilidade (cirurgias ortopédicas, doentes restritos ao leito por qualquer motivo)

-Longas viagens (avião e carro, maior que 4 horas)

-Câncer

- Sepse (“infecção generalizada”)

- Insuficiência Cardíaca

-Acidente Vascular Encefálico (“Derrame”)

-Gestação e período Puerperal

- Trauma extenso (acidente grave), Queimaduras grandes com hospitalização

-Cirurgias de grande Porte (Abdominais, bariátricas, torácicas, com tempo prolongado de anestesia)

- História de Trombose e Embolia prévia

-Doenças genéticas que predispõem à trombose.

-Obesidade

 

4- Quais são os sintomas de Trombose Venosa Profunda e de Embolia Pulmonar?

A TVP pode se manifestar da seguinte forma:

- Inchaço / Edema de um dos membros – sobretudo quando há uma assimetria.

- Dor no Membro (pernas ou braços), Endurecimento do mesmo

- Calor e Vermelhidão na região da trombose (inflamação)


A Embolia Pulmonar pode não apresentar sintomas; os sintomas mais comuns são:

- Falta de Ar súbita

- Dor nas costas que piora à inspiração

- Dor no peito súbita

- Desmaio súbito (menos comum)

- Queda da oxigenação sem motivo aparente

A suspeita clínica e avaliação médica para casos como este deve ser imediata e detalhada, seja se estiver em domicílio em fase de recuperação de uma cirurgia ou internado por alguma condição clínica.

 

5- Como evito a Trombose Venosa e Embolia Pulmonar?

Primeiro passo – Conhecer seu risco. Estime com seu médico esta questão. Para casos de baixo risco, caminhar precocemente após uma cirurgia para evitar a imobilidade pode bastar, mas esta é uma decisão individualizada e conjunta com o médico.

Para casos de moderado e alto risco, recomendam-se medidas físicas como Meias elásticas específicas e possivelmente, medicações que podem evitar a trombose, como enoxaparina (“injeção no abdome de anticoagulante”), anticoagulantes por boca em doses baixas (há mais de um tipo).

A melhor estratégia e métodos possíveis para o seu caso devem ser discutidas com seu cardiologista em conjunto com equipe cirúrgica. Recomenda-se, portanto, uma consulta pré-operatória com seu cardiologista em caso de cirurgias de médio e grande porte.   

 

6 – Como TRATAR a TVP e Embolia Pulmonar?

De forma geral, é necessário o uso de anticoagulantes, que “afinam o sangue”, além do suporte clínico conforme a gravidade do caso.

Há exceções, nas quais não é possível o uso de anticoagulantes. Esses casos devem ser discutidos individualmente.

A menor parte dos casos vai requerer uma terapia cirúrgica vascular adicional para o TEV.

 

7- Quais são as dicas para quem viaja com muita frequência de avião?

Uma viagem mais segura requer algumas medidas, tais como:

- Evitar medicações Sedativas (Dimenidrato, Melatonina, benzodiazepínicos, etc.) para evitar a imobilidade

- Andar periodicamente, pelo menos a cada duas horas

-Evitar cruzamentos das pernas para ajudar a circulação

-Uso de meias elásticas de média ou alta compressão

- Realizar exercícios com a pernas, “levantar e baixar o calcanhar “

- Se já teve uma trombose anterior ou possui alguma condição clínica (Insuficiência Cardíaca, Enfisema Pulmonar, Câncer ativo, etc.)  -  converse com seu médico antes da viagem. Pode ser indicado o uso de medicação anticoagulante em dose baixa para evitar uma trombose durante a viagem.

Avalie o seu risco de Tromboembolismo Venoso com seu clínico geral e Cardiologista, antes de viajar, realizar uma cirurgia e em caso de internação hospitalar por qualquer motivo.

 

Referências:

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